terça-feira, 20 de setembro de 2011

A simplicidade da alma

São muitos os valores que espero passar ao meu filho - uns tantos que serão por ele apreendidos na observação de meus exemplos, e tantos outros que eu procurarei ensinar, ainda que, a todo custo, não consiga eu mesma praticar (espero que meu filho seja um melhoramento meu! Ora, pois!). E entre ditos valores está a cultura da simplicidade: cultivar aquilo que é simples, em todos os significados da palavra.
Que priorize a serenidade espiritual, agradecido pela oportunidade de estar vivo e de alcançar o melhoramento evolutivo dia-a-dia.
Que procure a naturalidade da vida, cônscio de que é parte da natureza e que a ela deve cuidado constante.
Que traga no peito o respeito, a clareza e a indulgência; para bem conviver com os seus semelhantes, absorvendo o que há de melhor em cada pessoa.
Que seja a verdade, por inteiro, no estandarte da pureza e da inocência, mantendo sua alma incólume das cruéis vaidades humanas.
Que saiba bem usar de suas riquezas materiais, com humildade, modéstia e caridade.
Porque de outra forma que não a da simplicidade, projetaria-se o ceticismo, o materialismo desenfreado, a soberba, a hipocrisia, a ganância e o egoísmo. Desvalores que, a depender de mim, pelo meu filho não serão exercidos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ensaio sobre o uso da palavra

Penso que a palavra, oral e escrita, muito mais que a desenvoltura sobre duas patas, é que deu ao homem o diferencial evolutivo. É a racionalidade como expressão. Assim, entendo que justamente pelo conhecimento da linguagem e suas nuances é que se é obtido a base para os demais conhecimentos: quanto maior o conhecimento da linguagem, maior e melhor as conexões cerebrais para se dominar outras áreas (científica, social, da saúde ou exata).
E, neste ponto, é que chamo atenção para a educação infantil e primária. Etapas essencialmente destinadas ao aprendizado da língua nata. Como se avançar pelos estudos da matemática, geografia, história, biologia, por simples exemplos, se não se sabe interpretar aquilo que se lê, ou, numa etapa consecutiva, se não se sabe internalizar aquilo que se leu e fazer ligações com a vida prática ou concretizar a informação.
É fato, países que não possuem uma educação inicial eficiente e eficaz para seus patriotas deixam de desenvolver as potencialidades destes, tendo diminuídos índices de formados em nível superior e menos ainda em pós-grado. Quantos prêmios Nobel possui o Brasil??
Obviamente, não serei simplista em vincular este déficit apenas por falta de educação base, há outros aspectos sociais e culturais a serem analisados para um maior aprofundamento do tema. Porém, por ser mãe de um menino que logo mais adentrará no mundo do conhecimento lingüístico, mais de perto preocupa-me o que estamos oferecendo a nossas crianças atualmente, em sua educação formal sedimentar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

1 / 29: ser estalagmite

Falta menos de um dia para mais um ano; e me descubro uma estalagmite.
Em mim, estão camadas sucessivas, precipitadas pelo tempo, uma a uma, pouco a pouco; erigindo-me vagarosamente ao futuro, com as somas do passado e do presente.
Aqui, cada gota de água percorre a rocha e me transforma e me ensimesma, dia-a-dia.
Sou o que vivi nas experiências e aprendizados: calcário do chão, dos idos tempos de infância - onde finquei minha base; até a superfície, do novo passo que a porvir.
Posso me desvendar indelével no todo, mas realmente me encontro em cada particularidade, nos mínimos e disformes cristais.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Relatividade do tempo: ou aquilo que se faz com o tempo que se tem

"Se precisa de um favor, peça a alguém que muito tem a fazer, porque este saberá usar o tempo que tem e, certamente, atenderá ao seu pedido."
É uma máxima antiga, daquelas frases de efeito das titias sabichonas, ou das matronas conselheiras, ou dos amigos de botequim. Mas tem fundamento científico. É uma verdade inconteste: quanto menos tempo se tem, mais se consegue fazer. Só que, aqui, pausa: tal como sobra de tempo não equivale a fazer coisas com mais aprumo, com maior capricho, com melhor resultado; usar todo o tempo que se tem para inúmeras atividades nem sempre é sinônimo de eficiência e qualidade no que se faz.
A garantia de sucesso é a otimização do tempo, ou seja, relativizá-lo a ponto de melhor usar o tempo que se tem para aquilo que realmente importa a ser feito: e isto a maternidade ensina. Melhor não ser a melhor pessoa em tudo, ocupando seu tempo com inúmeras atividades, quase sendo massacrada pelo chavão dos 'faz-tudo', porque isto não é producente e só vai causar ansiedade pelo que ainda se tem a fazer e frustação por aquilo que se quis fazer e não se conseguiu. E cobranças vãs.
Se antes eram inúmeras horas com trabalho, cursos, viagens, academia, casa, relacionamento, amigos, cachorro, gato e periquito - situações, coisas e pessoas com as quais se poderia trabalhar na seara do 'tudo posso', enganando-se que as inúmeras tarefas do dia foram bem feitas; após o nascimento dos filhos a verdade muda. E, as escolhas do que se tem a fazer dentro do pouco tempo que se tem tornam-se necessárias, obrigatórias até, para dar prioridade aos cuidados e exigências desta nova vida.
E é aqui que muitas mães se perdem. Ficando ora no sonho de fazer de tudo (cuidar do filho, trabalho, viagens, estima, casa, relacionamento, vida social, blogs e afins), supondo darem conta de cem por cento e com cem por cento de acerto, o que traz esgotamento, por irem além de suas reais possibilidades, e consequente culpa, por perceberem que os resultados deste exagero não eram, nem de perto, os imaginados. Ora na tentativa de fazer uma única atividade (cuidar exclusivamente do filho), o que, via de regra, traz consequências de diminuição da auto-estima, problemas de relacionamento com o parceiro e, principalmente, proteção excessiva do filho e vínculo de dependência da mãe para com a criança, ambos nefastos para o desenvolvimento infantil.
O que seria conveniente, para o caso da maternidade inserida no assunto tempo, é a maternidade na medida certa, elencando-se prioridades com parcimônia e equilíbrio. Afinal, outra frase também é significativa nos bordões da literatura: "quem tudo quer fazer, faz mal feito; e quem mal feito faz, faz duas vezes".
Como não se pode criar o mesmo filho duas vezes, que tal se dar mais valor ao tempo que se tem, para fazer o que realmente vale a pena ser feito?