sábado, 18 de junho de 2011

Um ano e meio

"Ontem você nasceu
E já faz um ano e meio de sua chegada

Ontem você nasceu
O primeiro olhar se fez presente
O primeiro colo, o primeiro choro
a carícia inicial de mãozinhas rechonchudas

Ontem você nasceu
E já faz um ano e meio de sua chegada

Ontem você nasceu
Deu seus primeiros sorrisos, equilibrou-se em passos,
balbucou as primeiras palavras

Ontem você nasceu
E já faz um ano e meio de sua chegada

Ontem você nasceu
E já pula, corre, dança, abraça
(Sabe bem o que quer!)

Ontem você nasceu
E já faz um ano e meio de sua chegada

Ontem você nasceu
E de menino vai ganhando traços

Ontem você nasceu
E já faz um ano e meio de sua chegada

Ontem você nasceu
E transformou meu presente em um presente de Deus

Ontem você nasceu
E o ontem se transformou no meu hoje e no meu amanhã

Ontem você nasceu
E o tempo não deu conta de segurar as horas

Ontem você nasceu
E os dias se fizeram meses,
Um ano e pouco se passou

Ontem você nasceu
Nasceu para me trazer a felicidade
de um amor além da vida."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Maternidade do meu jeito

Os conselhos (pitecos, palpites, exemplos, fuxicos, mexericos, avisos, ajudas, orientações, e outras falações mais), a mim me parecem inerentes a raça humana - a diferença é que para os seres mais evoluídos estas conclusões sobre a vida alheia passam pelo crivo da educação ao serem exteriorizadas ou, caso contrário, ficam quietinhas na seara do pensamento. Basta ser "gente", e usar suas bases de formação, informação, conceitos pré-estabelecidos e incidência sócio-cultural-religiosa, para formular uma opinião sobre algo, alguém ou alguma coisa.

O que me parece irritante são as pessoas que não conseguem segurar para si críticas desconstrutivas, cruéis até, e, usando a máscara do aconselhamento, da experiência no assunto, destilam veneno. Sem ter real intenção de ajudar.

Irritante por igual são as que não têm maldade inerente, mas são inoportunas e indelicadas ao falar.
E as que têm opinião formada, e pronto!, nada maleáveis a aceitar contrariedade.

No assunto maternidade - e a forma de como devemos ser mães (existe forma certa??), então, as mães são alvo fácil destas três categorias de conselheiros! E sofrem com as insurgências destas pessoas! Principalmente as mães como eu, de primeira viagem.

Pessoalmente, desde a gestação, escutei (há um ditado popular que diz que "orelha de mãe é maior que de elefante"!). E, a princípio, muito me incomodei com estas manifestações (principalmente quando a categoria dos comentários estava na da maldade, e os autores eram da família). Estava insegura por ser mãe pela primeira vez e fragilizada pelo turbilhão emocional que foi gerar e dar a luz a um filho. E senti raiva, e cheguei por vezes a ser grosseira com quem as expressou.

Passado o primeiro ano de meu nascimento como mãe, fortaleci-me. Já não me perturbo mais. Ainda que continue não gostando de tais intrometimentos. E tento, com todas as forças, tratar com educação a todos que se põe a "aconselhar", inclusive aqueles das três categorias referidas.

Passei a usar uma frase chavão para lidar com estes comentários. E sempre que alguém faz referência sobre alguma situação que eu deveria ter feito diferente para meu filho; ou sobre alguma forma diferente que eu deveria fazer para educá-lo ou lidar com ele; ou que pela experiência da pessoa eu deveria fazer de um jeito diferente, eu simplesmente respondo: "Que bom que você acha isso! / Que bom que você fez isso! Afinal, cada um faz o melhor que acha que deve fazer, no melhor momento que acha que deve fazer!". E encerro a conversa. Ora, se o conselho for útil (afinal, não só de maus conselhos e dicas se fazem os comentários), esse vai ser também o meu melhor para usar na minha maternidade para com o meu filho Eduardo. Se não, vou procurar o meu melhor para o meu momento de ser mãe do meu filho Eduardo!

Perceberam os pronomes possessivos no parágrafo acima? (risos). Não é por menos. É que tenho comigo o entendimento de que ninguém teve um filho como o Eduardo, exceto EU. E ninguém teve uma mãe como eu, exceto o EDUARDO! A relação mãe e filho de que estamos a tratar é nossa. A história é nossa! É a minha história como mãe do Eduardo! E a história dele como meu filho! E eu sou a melhor mãe que o Eduardo pode ter e ele é o melhor filho que eu posso ter, nesta maternidade!

Não pode haver parâmetros de comparação (apenas sugestões a serem tentadas - se eu achar que serão melhores para o meu filho, ressalte-se, e que, por coincidência de histórias de vida, possam se adequar a minha vida com o Eduardo e serem aplicadas). Não pode haver padrões pré-estabelecidos. Muito menos pré-conceitos.

Finalizo fazendo menção ao respeito que tenho pelas opiniões dos outros, mas que estes saibam o limite de respeitar ao outro ao expressá-las.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Poesia Eduardo

Antes de começar esta postagem, gostaria de fazer uma merecida nota: o autor da poesia a seguir é meu pai, Dimas, um dos melhores poetas que conheci. Ainda não publicou seu livro, bem verdade, mas quando o publicar (muito em breve, estou torcendo!!), serei sua mais fiel leitora e orgulhosa fã.

EDUARDO I – O SOBERANO

Já passei dos cinqüenta e estou preparado para ser avô do Eduardo I – herdeiro do meu reino pós-cibernético,
Onde homens livres vivem paradoxalmente presos na rede
Aguardando um libertador.
Seria lugar comum dizer que o amo antes de conhecê-lo,
Seria óbvio falar que espero que tenha saúde e seja feliz!
Verdadeiramente almejo que faça a diferença
Num mundo de pessoas desiguais!
Espero que tenha a grandeza de aprender na vida,
Que somos apenas ciscos cósmicos, fagulhas divinas,
Conectadas em Deus, passeando no Universo.
E aconselho que nunca se esqueça do caminho de volta!
Seria sonhar demais que seja no futuro um líder,
Um apaziguador de conflitos, um grande empreendedor,
Um cientista, um profeta ou um escritor.
Verdadeiramente espero que seja apenas um homem do bem,
E que reine soberano em sua vida!

Dimas Castro - Dezembro/2009

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amamentar

No mundo em que se sexualiza as relações interpessoais, coisifica-se o afeto e se banaliza o amor, para as incrédulas posturas que vêm sendo adotadas quanto à amamentação em público - vide caso Banco Itaú, Facebook e CQC -, dá-se o viés de normalidade. Normal tratar mulher como objeto. Normal fazer chacota com quem doa tempo, energia e, por vezes, até a juventude do corpo, em prol de alimentar o filho no seio. Normal ser cruel.

Aqui, pausa para a pergunta: em que momento o "homem" se perdeu? Em que ponto desencontrou-se de sua humanidade (aquela da alma)? Até onde vai a ignorância humana?
A amamentação, às mulheres que nunca amamentaram e aos homens que nunca irão amamentar (e trago esta explicação essencialmente a estes, por crer que os autores das posturas acima referidas somente possam ser pessoas que não amamentaram, porque, quem o fez, jamais adotaria este tipo de comportamento), é, antes de tudo, uma dádiva de Deus.

É a sabedoria da Natureza na evolução das espécies. É tão natural e tão necessária quanto o nascimento (e deveria ser apenas substituída por outras formas de alimentação pós-parto - mamadeiras, colheres, copinhos - quando do surgimento de situações adversas de saúde da mãe). E, mais, amamentação, para além de alimentação, é troca de energia, é aconchego, é reconforto. É doação, é entrega e é dor, por vezes.

Amamentação também é igualdade: não diferencia a cor da pele de quem é amamentado. Não se prevalesce na classe social de quem amamenta.

As políticas em prol da amamentação, assim como da nutrição, são diretrizes governamentais. E, cada vez mais, ativistas sociais e colaboradores da saúde buscam unir forças para incentivar a amamentação do recém-nascido por, no mínimo, 06 (seis) meses. A própria OMS traz em suas bases o incentivo à amamentação nos 02 (dois) primeiros anos da criança.

Agora, polemizar este ato com indicações de lugar para se amamentar; mostrar parte do corpo ou não mostrar; comparar a amamentação com atos atentatórios ao pudor, é subestimar por demais este ato de amor.

É, no campo da religião, trabalhar com o pecado da ingratidão: por se desfazer da graça desinteressada, concedida por Deus, para que a mulher sustente o ser que acabou de parir.

É, no campo da ciência, circular pelas vias da irracionalidade: vez que todos os mamíferos produzem leite para o sustento de sua prole.

É, no campo das relações sociais, ultrapassar os limites de respeito.

É maldade, é preconceito.

É o mais nítido retrado do que grande parte dos seres humanos se trasnformou: um 'nada' de carne e osso.

É de dar pena. Pena! Pena das mães destes, que os amamentaram.