"Ela prometeu este texto pronto para a repórter,
em uma semana.
Ela não cumpriu.Ela prometeu o texto, sem falta, em mais alguns dias.
Ela não cumpriu.
Ela prometeu uma saída com as amigas. E não esteve lá.
Ela prometeu fazer as unhas das mãos, a depilação e a tintura nas raízes já crescidas (um dia de princesa só para si). E continuou a ‘mulher-lobisomem’.
Ela prometeu uma noite de amor para o marido; mas o nenê ficou doente, bem no dia da compra do sutiã vermelho.
Um telefonema para a mãe.
Prometeu chegar no horário no trabalho, não faltar.
Prometeu começar a se exercitar.
Ausências, atrasos, mudanças de plano, ‘jogo de cintura’ em situações em que se deveria dissociar (ser duas, três, ou mais).
A liberdade que não temos.
É isto o que nos une (tirante o amor maior do mundo por nossos filhos), na coligação das mães.
Desde as mais 'pata-chocas', às 'superprafrentex' mães quatro turnos (filho, marido, casa e trabalho - não necessariamente nesta ordem de preferência).
É esta impossibilidade de autodeterminação do tempo, de onde ir, do que fazer; esta dependência de terceiro, que marca também a maternidade.
Não faço, aqui, alusão aos prós e contras desta não liberdade. Muito menos pretendo categorizá-la como doação de amor, obrigação por ser mãe ou desvalorização da mulher que se sujeita a esta situação.
É uma constatação. É presente. É fato. Em graus maiores ou menores, no termômetro da dedicação particular. Independentemente de como cada uma de nós, mães, lida com ela.
Eu confesso: ainda não aprendi a lidar!
Considero-me uma excelente mãe (tenho falhas, obviamente; mas faço o meu melhor), daquelas mães ‘das antigas', presente 24 horas, que deixou a faceta trabalho em suspenso, para cuidar unicamente do filho há quase três anos; mas se tem uma coisa que realmente me incomoda, desde o meu nascimento como mãe, é não ter o controle pleno da minha vida.
Aquela decisão de dormir até às 11h; aquela vontade de almoçar às 15h; sair jantar logo após a mensagem das amigas (“nos vemos em 30 minutos, no restaurante tal); tocar meu violão quando der vontade; escrever, ler, tomar um banho de banheira bem demorado; sair na hora certa para o compromisso marcado; poder marcar meus horários em médicos, dentistas, cabeleireiro, quando quiser; frequentar cursos; atender meus clientes. E outros tantos exemplos mais.
Não depender de terceiros na disposição do cuidado de meu filho, em lugares em que não posso levá-lo comigo (porque ele é meu companheiro de todas as horas, sempre a tiracolo!).
Sei que pode ser uma característica tendencialmente egoísta da minha parte, mas é ao menos sincera.
Fato é também que terei que aprender a lidar com está ausência de liberdade, porque, afinal, não sou responsável apenas por mim, desde o nascimento do Eduardo.
Mas tenho saudade daquele tempo em que o tempo era só meu."
* Nota de referência aos 'descuidados' leitores de plantão: se me perguntarem se eu trocaria minha vida atual, que me foi abençoada por um menino lindo e muito amado, pela vida de antes (com aquela total liberdade); sem qualquer centelha de dúvida a resposta será NÃO! Porque, por mais que seja uma tarefa trabalhosa bem criar um filho, é uma das mais lindas e recompensadoras que possa existir. Afinal, como bem disse a minha amiga Laiz (do blog Dia de Mamis), "nesta nova jornada de não liberdade, ganhamos uma companhia que 'rouba' nosso tempo, mas nos faz infinitamente mais felizes"!!