segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A liberdade que não temos... mais


"Ela prometeu este texto pronto para a repórter, em uma semana.
Ela não cumpriu.
Ela prometeu o texto, sem falta, em mais alguns dias.
Ela não cumpriu.
Ela prometeu uma saída com as amigas. E não esteve lá.
Ela prometeu fazer as unhas das mãos, a depilação e a tintura nas raízes já crescidas (um dia de princesa só para si). E continuou a ‘mulher-lobisomem’.
Ela prometeu uma noite de amor para o marido; mas o nenê ficou doente, bem no dia da compra do sutiã vermelho.
Um telefonema para a mãe.
Prometeu chegar no horário no trabalho, não faltar.
Prometeu começar a se exercitar.
Ausências, atrasos, mudanças de plano, ‘jogo de cintura’ em situações em que se deveria dissociar (ser duas, três, ou mais).
A liberdade que não temos.
É isto o que nos une (tirante o amor maior do mundo por nossos filhos), na coligação das mães.
Desde as mais 'pata-chocas', às 'superprafrentex' mães quatro turnos (filho, marido, casa e trabalho - não necessariamente nesta ordem de preferência).
É esta impossibilidade de autodeterminação do tempo, de onde ir, do que fazer; esta dependência de terceiro, que marca também a maternidade.
Não faço, aqui, alusão aos prós e contras desta não liberdade. Muito menos pretendo categorizá-la como doação de amor, obrigação por ser mãe ou desvalorização da mulher que se sujeita a esta situação.
É uma constatação. É presente. É fato. Em graus maiores ou menores, no termômetro da dedicação particular. Independentemente de como cada uma de nós, mães, lida com ela.
Eu confesso: ainda não aprendi a lidar!
Considero-me uma excelente mãe (tenho falhas, obviamente; mas faço o meu melhor), daquelas mães ‘das antigas', presente 24 horas, que deixou a faceta trabalho em suspenso, para cuidar unicamente do filho há quase três anos; mas se tem uma coisa que realmente me incomoda, desde o meu nascimento como mãe, é não ter o controle pleno da minha vida.
Aquela decisão de dormir até às 11h; aquela vontade de almoçar às 15h; sair jantar logo após a mensagem das amigas (“nos vemos em 30 minutos, no restaurante tal); tocar meu violão quando der vontade; escrever, ler, tomar um banho de banheira bem demorado; sair na hora certa para o compromisso marcado; poder marcar meus horários em médicos, dentistas, cabeleireiro, quando quiser; frequentar cursos; atender meus clientes. E outros tantos exemplos mais.
Não depender de terceiros na disposição do cuidado de meu filho, em lugares em que não posso levá-lo comigo (porque ele é meu companheiro de todas as horas, sempre a tiracolo!).
Sei que pode ser uma característica tendencialmente egoísta da minha parte, mas é ao menos sincera.
Fato é também que terei que aprender a lidar com está ausência de liberdade, porque, afinal, não sou responsável apenas por mim, desde o nascimento do Eduardo.
Mas tenho saudade daquele tempo em que o tempo era só meu."



* Nota de referência aos 'descuidados' leitores de plantão: se me perguntarem se eu trocaria minha vida atual, que me foi abençoada por um menino lindo e muito amado, pela vida de antes (com aquela total liberdade); sem qualquer centelha de dúvida a resposta será NÃO! Porque, por mais que seja uma tarefa trabalhosa bem criar um filho, é uma das mais lindas e recompensadoras que possa existir. Afinal, como bem disse a minha amiga Laiz (do blog Dia de Mamis), "nesta nova jornada de não liberdade,  ganhamos uma companhia que 'rouba' nosso tempo, mas nos faz infinitamente mais felizes"!!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Mamãe do Eduardo no Confessionário!

Dia da Independência do Brasil e nós estamos dando 'pitaco' no Confessionário, blog do site Bebê, da Editora Abril!
Agradeço desde já o convite feito a nós pela Bruna, excelente repórter desta Editora, e aproveito para indicar uma visita ao meu depoimento lá e também ao blog em geral! Confiram!

http://bebe.abril.com.br/blogs/confessionario/2012/09/07/a-liberdade-que-nao-temos-mais/


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tiradas de 30 meses

* Pum no bumbum! (cocô escapando na cueca, quando soltou um pum)
* Xixi cái na água! (fazendo xixi de pé - agora não precisa mais sentar para fazer xixi! super adulto!, mirando o jato na água do fundo da privada)
* Reais do Dudu! (todo e qualquer dinheiro que vê)
* Ahhhh nããão!!! (para as etiquetas das roupas na loja, com cara de "que caro!" e as mãos na cabeça)
* Papá é ruim. Suco de uva é bom!(colocando a colher dentro do copo de suco, lambendo o suco da colher, e fazendo cara de "que gostoso", dizendo: "hummmm"!)
* Tchau tv (jornal passando). Dvd Dudu é bom! (querendo trocar pelo filminho do Thomas Trem)
* Au-au! Acabou o naná, au-au! Acabou a lua, au-au! Já é de dia! (falando para o naninha dele, dentro do berço, assim que acordou)
* Cacá, Cacá (resolveu me chamar de Cacá agora, em vez de mamãe! posso?)! Dudu quer "ihihihihi"! (imitando macaco, para pedir uma banana)
* Dudu quer um, Cacá! Só um! Reais do Dudu na GhiGhi! (assistindo propaganda da televisão, de um brinquedo, e pedindo para comprar um na loja GhiGhi).
* Cof cof cof! (fingindo tossir e com cara de doente, ao ser examinado na pediatra)
* Ihhh! Ihhh! (imitando choro, beicinho tremendo e lágrimas nos olhos, ao escutar, com toda atenção, uma música sertaneja das do estilo "que corno eu sou")
* A-ca-bou! A-ca-bou! (falando bem alto e devagar, para que não restasse dúvida da intenção, rs!, afastando o prato para não comer mais)
* Tchau cocô! Vai naná! (apertando a descarga, depois de fazer cocô)
* Um, dois, três, já! Ganheiiiii! (antes mesmo de começar a correr)

E por aí vai!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Devaneios

Onde está aquela menina de olhos brilhantes, a correr pela praia?
Soprou novo vento
A onda já é outra
A areia mudou de lugar

Onde está aquela moça de pele queimada, trazendo com ela assobios ao passar?
É dia em poente
A brisa está morna
Calmas águas na enseada

Mas o mar está ali
O sol se faz presente
A vida ainda pulsa
(sustentada pelos fios da monotonia)

Sutil tremor de terra
- das profundezas do ser
Faz revolta a maré
(ventania e vendaval)

Voltam a queimar os raios solares
A tez recende em cor
E novamenre se vê riso fácil da menina-moça
nos lábios ressequidos da mulher

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Desfralde natural

Não sou uma pessoa adepta a teorias (já fui, confesso! hoje sou mais pragmática). Desde o início da minha gestação procurei pautar este novo ciclo em bases naturais (não digo que consegui assim proceder em todos os momentos, porque muitas vezes quando envolvida pelo medo, cedi à procura de respostas teóricas, para conseguir segurança; situações que em nada auxiliaram, só somaram confusão e mais insegurança, e fortaleceram ainda mais meu entendimento de que a vida deve ser vivida de forma natural - até mesmo com viés intuitivo), mais sentimento, mais verdadeira. E simples.
Assim estou vivenciando com o Eduardo desde o seu parto (que foi um parto humanizado); com a amanentação livre e até quando for necessário; com os cuidados meus para com ele como das antigas (daquelas mães donas de casa que cuidavam igual galinhas choca); da prioridade de fortalecimento do vínculo familiar (afetividade e formação individual) até os três anos de vida do Eduardo, em vez da socialização escolar antes deste período; da alimentação caseira em preferência; da educação baseada no meu senso de justiça e não dos impostos em programas de babás taus ou escritores taus; na paciência com o tempo do Eduardo para vencer etapas de desenvolvimento (inclusive quanto à pouca fala), com mais estímulos do que cobranças; e agora com o desfralde.
O Eduardo desfraldou.
E desfraldou sozinho! Pediu para ir ao banheiro. Disse ser ruim usar fraldas.
E desde segunda só pôs fralda para dormir (e isso porque a mamãe aqui insistiu! por ele nem neste momento seria preciso, rs!).
Já havia uns meses que se iniciou o reconhecimento do xixi e do cocô, da fralda, do penico; mas não houve qualquer tentativa ou insistência de minha parte!
Foi ao tempo dele, sem antecipações, sem regras genéricas, naturalmente!!
Feliz por mais esta etapa vencida!
Parabéns, amor da mamãe!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Antinomias de lá e cá

Sem explicações prolixas, resumo o meu momento em antinomias de lá e cá. Inércia virtual e múltiplas atividades diárias. Desânimo em dispor energias observando a vida alheia (ainda que de forma absolutamente saudável) e extremada vontade de me debruçar mais sobre minha própria vida - as nuances do desenvolvimento do meu filho, meu crescimento como mãe e novos planos profissionais. É só por isto. Nada mais. O resto são desculpas vazias. Não houve falta de tempo; mas prioridade do uso dele para o que eu achei mais relevante no momento. Não houve sequer vontade em estar aqui. E mais uma vez estagnei virtualmente. Porque já passava a virar obrigação postar. Não quero letra presa, quero versos soltos. Sem data, horário ou lugar para acontecer. Sem cobranças (minhas cobranças). Minha vida aqui a quero assim: solta, livre, mutante. Novamente me permito voltar. Mas com advertência já feita: nesta antinomia, prefiro a vida real.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Liberdade do eu ou a necessidade de estar só

Eu temia a solidão.
Meus pensamentos estavam sempre inseridos em um diálogo: eu e mais.
O contato era necessário, auto-afirmação corriqueira no outro, e a vastidão de pessoas no entorno. Exterior preenchido em todos os espaços.
Hoje anseio por ela; porque aprendi, cercada de insegurança, que a liberdade do eu se faz com o solo de um ser só; sem medo do silêncio que a individualidade traz.
Aqui se nasce e se morre sozinho - no que se acredita, no que se sente, no que se vê, no que se pensa, nas mágoas, alegrias e desejos, no que se escolhe e no novo caminho a seguir.
A energia é una, na essência da alma. E só no interior se é livre por completo, se é único e inteiro.
No demais, em paralelo, são as trocas (não tão importantes, mas existenciais).
Compartilhamento e misturas de solidões: a minha e a sua.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pelo buraco da fechadura da minha porta!

O que você vê? Olhando através do buraco da fechadura da minha porta?
Um filho muito amado e abençoado, crescendo feliz; desenvolvendo-se em plenitude, juntinho comigo, bem debaixo das minhas asas (pata-choca mesmo, mamãe das antigas); aprendendo, cada dia, a ser no mundo; e descobrindo a beleza do mundo em cada manhã.
Uma mãe por vezes muito cansada, muitas vezes com sono, mas com pique, alegria e disposição tiradas do 'saquinho secreto de reserva de energia' para estar presente cada vez mais (sendo presente quando presente) e acompanhar as aventuras do filho feito criança; aprendendo a ser mãe a cada dia (lidando com o novo, que é novo e por isso incomoda, e ensina; e com o velho, que é velho e por isso incomoda, e ensina - sentimentos, pessoas, acontecimentos, lugares, ações e reações, novos e velhos); e maravilhada com cada descoberta de seu filho.
Uma família estruturada, plena, forte e unida: com pai e mãe dando o exemplo, esforçando-se juntos para dar o melhor que podem para o filho querido.
O que você vê? Olhando através do buraco da fechadura da minha porta?
Paz! Harmonia! Crescimento! Força! Brilho! Doçura! Infância! Afeto! Aprimoramento! Bom-humor!
Você vê amor!
Hoje me sinto melhor do que ontem.
Hoje me sinto mais completa do que antes.
Hoje sou mais paciência, mais tolerância, mais equilíbrio, entendimento e brandura.
Hoje sou meu ontem melhorado, pronta para enfrentar o meu amanhã.
O que você vê através do buraco da fechadura da minha porta?
Gratidão, pelo ano que passou.
Esperança, por mais um excelente ano que virá!