Os conselhos (pitecos, palpites, exemplos, fuxicos, mexericos, avisos, ajudas, orientações, e outras falações mais), a mim me parecem inerentes a raça humana - a diferença é que para os seres mais evoluídos estas conclusões sobre a vida alheia passam pelo crivo da educação ao serem exteriorizadas ou, caso contrário, ficam quietinhas na seara do pensamento. Basta ser "gente", e usar suas bases de formação, informação, conceitos pré-estabelecidos e incidência sócio-cultural-religiosa, para formular uma opinião sobre algo, alguém ou alguma coisa.
O que me parece irritante são as pessoas que não conseguem segurar para si críticas desconstrutivas, cruéis até, e, usando a máscara do aconselhamento, da experiência no assunto, destilam veneno. Sem ter real intenção de ajudar.
Irritante por igual são as que não têm maldade inerente, mas são inoportunas e indelicadas ao falar.
E as que têm opinião formada, e pronto!, nada maleáveis a aceitar contrariedade.
No assunto maternidade - e a forma de como devemos ser mães (existe forma certa??), então, as mães são alvo fácil destas três categorias de conselheiros! E sofrem com as insurgências destas pessoas! Principalmente as mães como eu, de primeira viagem.
Pessoalmente, desde a gestação, escutei (há um ditado popular que diz que "orelha de mãe é maior que de elefante"!). E, a princípio, muito me incomodei com estas manifestações (principalmente quando a categoria dos comentários estava na da maldade, e os autores eram da família). Estava insegura por ser mãe pela primeira vez e fragilizada pelo turbilhão emocional que foi gerar e dar a luz a um filho. E senti raiva, e cheguei por vezes a ser grosseira com quem as expressou.
Passado o primeiro ano de meu nascimento como mãe, fortaleci-me. Já não me perturbo mais. Ainda que continue não gostando de tais intrometimentos. E tento, com todas as forças, tratar com educação a todos que se põe a "aconselhar", inclusive aqueles das três categorias referidas.
Passei a usar uma frase chavão para lidar com estes comentários. E sempre que alguém faz referência sobre alguma situação que eu deveria ter feito diferente para meu filho; ou sobre alguma forma diferente que eu deveria fazer para educá-lo ou lidar com ele; ou que pela experiência da pessoa eu deveria fazer de um jeito diferente, eu simplesmente respondo: "Que bom que você acha isso! / Que bom que você fez isso! Afinal, cada um faz o melhor que acha que deve fazer, no melhor momento que acha que deve fazer!". E encerro a conversa. Ora, se o conselho for útil (afinal, não só de maus conselhos e dicas se fazem os comentários), esse vai ser também o meu melhor para usar na minha maternidade para com o meu filho Eduardo. Se não, vou procurar o meu melhor para o meu momento de ser mãe do meu filho Eduardo!
Perceberam os pronomes possessivos no parágrafo acima? (risos). Não é por menos. É que tenho comigo o entendimento de que ninguém teve um filho como o Eduardo, exceto EU. E ninguém teve uma mãe como eu, exceto o EDUARDO! A relação mãe e filho de que estamos a tratar é nossa. A história é nossa! É a minha história como mãe do Eduardo! E a história dele como meu filho! E eu sou a melhor mãe que o Eduardo pode ter e ele é o melhor filho que eu posso ter, nesta maternidade!
Não pode haver parâmetros de comparação (apenas sugestões a serem tentadas - se eu achar que serão melhores para o meu filho, ressalte-se, e que, por coincidência de histórias de vida, possam se adequar a minha vida com o Eduardo e serem aplicadas). Não pode haver padrões pré-estabelecidos. Muito menos pré-conceitos.
Finalizo fazendo menção ao respeito que tenho pelas opiniões dos outros, mas que estes saibam o limite de respeitar ao outro ao expressá-las.
Nenhum comentário:
Postar um comentário