quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amamentar

No mundo em que se sexualiza as relações interpessoais, coisifica-se o afeto e se banaliza o amor, para as incrédulas posturas que vêm sendo adotadas quanto à amamentação em público - vide caso Banco Itaú, Facebook e CQC -, dá-se o viés de normalidade. Normal tratar mulher como objeto. Normal fazer chacota com quem doa tempo, energia e, por vezes, até a juventude do corpo, em prol de alimentar o filho no seio. Normal ser cruel.

Aqui, pausa para a pergunta: em que momento o "homem" se perdeu? Em que ponto desencontrou-se de sua humanidade (aquela da alma)? Até onde vai a ignorância humana?
A amamentação, às mulheres que nunca amamentaram e aos homens que nunca irão amamentar (e trago esta explicação essencialmente a estes, por crer que os autores das posturas acima referidas somente possam ser pessoas que não amamentaram, porque, quem o fez, jamais adotaria este tipo de comportamento), é, antes de tudo, uma dádiva de Deus.

É a sabedoria da Natureza na evolução das espécies. É tão natural e tão necessária quanto o nascimento (e deveria ser apenas substituída por outras formas de alimentação pós-parto - mamadeiras, colheres, copinhos - quando do surgimento de situações adversas de saúde da mãe). E, mais, amamentação, para além de alimentação, é troca de energia, é aconchego, é reconforto. É doação, é entrega e é dor, por vezes.

Amamentação também é igualdade: não diferencia a cor da pele de quem é amamentado. Não se prevalesce na classe social de quem amamenta.

As políticas em prol da amamentação, assim como da nutrição, são diretrizes governamentais. E, cada vez mais, ativistas sociais e colaboradores da saúde buscam unir forças para incentivar a amamentação do recém-nascido por, no mínimo, 06 (seis) meses. A própria OMS traz em suas bases o incentivo à amamentação nos 02 (dois) primeiros anos da criança.

Agora, polemizar este ato com indicações de lugar para se amamentar; mostrar parte do corpo ou não mostrar; comparar a amamentação com atos atentatórios ao pudor, é subestimar por demais este ato de amor.

É, no campo da religião, trabalhar com o pecado da ingratidão: por se desfazer da graça desinteressada, concedida por Deus, para que a mulher sustente o ser que acabou de parir.

É, no campo da ciência, circular pelas vias da irracionalidade: vez que todos os mamíferos produzem leite para o sustento de sua prole.

É, no campo das relações sociais, ultrapassar os limites de respeito.

É maldade, é preconceito.

É o mais nítido retrado do que grande parte dos seres humanos se trasnformou: um 'nada' de carne e osso.

É de dar pena. Pena! Pena das mães destes, que os amamentaram.

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