sexta-feira, 29 de julho de 2011

Depressão pós-parto

Conversa de louco? Pode ser...

Mas o fato é que, sim! eu tive depressão pós-parto (em grau leve, mas tive). Daquelas que fazia o peito doer de angústia; que enchia os olhos de lágrimas, a qualquer tempo; que não me permitia ficar sozinha com meu filho recém-nascido, por medo; daquelas que me fazia pensar que não daria conta da maternidade, que não seria boa mãe; que cobria meus olhos em frente da felicidade do momento, e me fazia ver apenas cansaço e mágoa.

Sim! meu início como mãe foi de dor de parto por dias; mais para luto do que para nascimento.

Sim! os hormônios socaram minha face, e me lançaram à beira da loucura.

Sim! eu quis ser apenas eu novamente, nos meus primeiros meses de mãe. Queria contato humano, queria sair de casa, queria liberdade.

Sim! a dualidade entre o amor maior do mundo e a insegurança do novo, fizeram ferver meus miolos. E deslocaram minha sensatez em 360 graus. De pernas para o ar, de ponta-cabeça, do avesso. Eram meus melhores lados.

Não houve abandono e nem falta de carinho para com o Eduardo. O amor conseguia dominar a desordem, nos momentos mais críticos. E eu pude atender todas as suas necessidades e passar afeto a ele. Mas a depressão pós-parto, posso hoje dizer, esta existiu, sim!

Eram longas horas sozinha com o Eduardo, eram longas horas passadas dentro do seu quarto (nos cuidados com seu sono, frágil e leve desde o nascimento), isolada do mundo.

Meses se passaram onde eu só via a escala de cinza.

Mas maio chegou, e o sentimento foi mudando, a vida foi ganhando cores, tons do arco-íris. E
eu, somente após quatro meses apáticos, pude nascer realmente como mãe (meu parto foi muito mais demorado do que o do Eduardo), como uma borboleta dentro do casulo, esperando a maturidade íntima, para a estação materna acontecer.

E o sangue pôde ferver de alegria, o coração sentir a doçura do vínculo mãe-filho e a paz voltar a reinar.

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