Na televisão, canal infantil no "on", daqueles destinados a bebês e crianças bem pequenas. Ela despreocupada, ajeitando as camas, preparando o banho da noite do filho, nas multi-tarefas habituais do dia. Relanceia o olhar para a tela e se depara com uma propaganda de fraldas (das que usa em seu bebê, inclusive), que chama sua atenção: uma bebê sentada em um banco de praça, olhando para um bebê do sexo oposto, que vinha pelo caminho, usando só fralda, menino no qual os publicitários enomearam "Pedro" (porque não usava o modelo de fralada da marca em questão). E ele, ao estilo de uma dança de acasalamento animal, passeia enfrente da bebê, que faz caras e bocas como se o estivesse dispendando. Após, aparece outro bebê, agora chamado "Max", que estava usando as ditas fraldas da marca, também na dança de acasalamento, estilo "bad boy" dos anos 60. E a menininha, faz charme, rosto de satisfeita e se levanta na direçào do menininho, e se abraçam e seguem de mãos dadas. Aparecendo os dois, na cena final do comercial, sentadinhos abraçados no banco da praça.
E ela se assusta! E ela se espanta! E ela se pergunta em que parte do caminho se perderam os referênciais da infância!
Um canal infantil, uma propaganda infantil (de fraldas!!), um público absolutamente infantil! E uma propaganda com conatação romancesca; erótica nas entrelinhas. A que ponto se chegou?
Cadê o respeito ao lúdico, cadê o respeito a estas crianças?
O senso do certo, do respeitoso, do justo, está cada vez mais distante da maioria das pessoas. A perda dos valores, a perda do sentido da existência; em nome do que se pode vender, do que se pode consumir.
As crianças estão sendo adultizadas. Meu Deus, pensa ela aflita: estão-lhes roubando a infância!!!
Aqueles meninos de pés descalços, estilingue no bolso, carrinho de madeira estacionado na porta de entrada da casa? Aquelas meninas com seus bebezões da Estrela, panelinhas de louça e bambole. Cadê? Onde estão escondidos?
E ela se enfurece, reluta em aceitar que uma propaganda como está teve uma "mente" criadora, uma equipe de "profissionais" para aprová-la e colocá-la no ar. Teve "mães" que não viram maldade no comercial e permitiram que seus "bebês" estrelassem-no.
Sou a única a perceber isso, pensa ela. E vagueia o pensamento nas muitas menininhas que têm visto em salões de beleza, fazendo a unha. Outras indo à escola maquiadas. Outras que nem alcançaram idade de dois dígitos, ganhando festas de aniversário no qual o tema é a Hannah Montana.
E os meninos, cibernéticos, com jogos mortais no vídeo-game; desenhos de lutas marciais; competindo para ver quem "fica" com mais meninas, tendo idade inferior de 15 anos.
E ela lembra de sua infância, tempo em que não via as horas passar em meio a suas brincadeiras, pulava elástico, brincava de mãe-pega e de Barbie aos 14 anos, e era tão criança. E era tão feliz.
Muitos lutaram pelo fim da escravidão infantil. Muitos ainda lutam na defesa dos direitos infantis de não serem submetidos ao trabalho antes de determinada idade, de terem sua liberdade respeitada e não serem penalizados por faltas criminais antes de determinada idade. Para terem direito à saúde, à escola, à moradia e alimentação digna, ao afeto familiar e social. Mas o crime maior está sendo velado: estão surrupiando a inocência das crianças, tornando-as adultas na força, erotizando-as, sexualizando-as. E ninguém vê.
E ela sofre por saber que a televisão segue ligada, o canal continua o mesmo, e outros tantos comerciais como estes continuam sendo rodados; na vida de tantos adultos, com a idade de crianças.
4 comentários:
Texto lindo amada! Concordo plenamente!! que medoooo desse mundo! Boa semana!! Beijos
Adorei...
Mas infelizmente é o que acontece hoje...
As mães aceitam fazer essa propaganda com o maior orgulho do mundo, como se tudo ali fosse normal..
Isso e falta dos pais reivindicarem...
Dizer que aquela propaganda não é normal, o que para muitos virou normal...
bjos
Olha, eu não assisto tv e nunca vi essa propaganda, agora, que a mídia enlouqueceu nessa de adultizar as crianças eu já sei há horas.
Pois na Vogue não saiu uma criança posando sensualmente roupas de adulto? É mole?
Beijos
Horrível essa adultização que a mídia e a publicidade fazem com as crianças. Depois aparecem pedófilos, adolescentes com problemas e ninguém sabe por que! Muitas coisas precisam mudar...
Nossos filhos estão crescendo no meio disso tudo!!! O negócio é informar e educar com muito amor. Bjinhosssss
Postar um comentário