São diversas as formas de se maternar, logicamente porque suas protagonistas são mulheres, que possuem personalidades distintas, bases de criação diferentes e vivências próprias. E esta forma também é variante em uma mesma pessoa, pelo aprendizado que se teve, por análise crítica, por necessidade, por observação do outro, como exemplos - e porque as pessoas mudam (dêem graças e aleluias!).
A minha maternidade, pelo menos até agora, passou por duas fases: a do medo e a da glória. A primeira, de um cartesianismo limítrofe, exagerado, dominante, sufocante; teve suas raízes pupulando já na gestação, onde ocorreu uma busca incessante por se saber tudo (como se bastasse somar dois e dois com a exatidão do quatro na seara do gestar), antecipando a prática no afã da teoria: exigência de conhecimento integral do método em que se iria aferir a veracidade dos fatos, na certeza total dos futuros acontecimentos, domínio da mudança do corpo, das fases do feto, nota máxima em medicina obstétrica. Era assim que domava minha insegurança, fantasiando não haver dúvidas, nenhuma possibilidade de erro, apenas verdades reais, naquele projeto de dar a luz a uma vida.
E nos moldes de Descartes iniciei minha primeira trajetória como mãe, absorvida pela necessidade pungente de explicações, do certo ou errado, sem meio termos. E foram dias difíceis. Dias em que a investigação teórica falhava, as respostas não me eram dadas por meus inúmeros livros, e um novo ser clamava por atitudes certeiras, por acalento e carinho, por segurança e calma (e só! e tudo!).
Então a irrisória tentativa de mascarar o medo do desconhecido, com as garras de ferro do conhecimento adquirido, cedeu ao pânico do fracasso, a constatação do imperfeito, da falta de fé e da dureza dos meus sentimentos. E então, da crise sobreveio a sensatez, e a mordaça foi rompida nos berros da dor, extravasando todo o instinto materno ressequido por informações desnecessárias, estudos de caso, conselhos hipócritas, cursos, palavras e palavras. E um novo parto aconteceu: nascendo a mãe em verdade; aquela mulher com constantes dúvidas, sem prontas respostas, com todos e inúmeros erros; e uma clarividente certeza: ser mãe é estar no extremo da glória. É ser amor, doação e renúncia, em todos os dias da vida.
6 comentários:
Mãe lindonaaaa!! Amo vcs!
Bom dia chuvoso amiga!
Ainda bem que descobrimos que não precisamos ser perfeitas né?! é um outro parto, um novo começo. Ser mãe é errar e acertar várias vezes (e vai acontecer muito), não se cobrar e nem tentar encontrar todas as respostas pode ser mais leve. Bjoooooo grandãoooo
Ele faz na Amaral... e o seu Edu?
Beijos
Também estou amiga!!! Tenho entrado pouco por aqui.Ando tão cansada que nem postar tenho conseguido. Vamos agilizar um novo jantar de meninas?????? Dessa vez marcamos em um dia que o papis possa ficar com o Edu!!! Bjoooooooooooo
Podemos marcar também um parque com os pequenos... assim não precisamos deixá-los com os papis!!!eeeeeeee rs Bjoooooooooo
Texto lindo!
Eu também ficava lendo muita coisa, achando o certo e o errado e acabei que só sofri.
Quando me deixei levar pelos instintos, amor e carinho a formula deu certo!
Psiu:
Obrigada pelo elogiou querida!
Beijos
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